8.12.10

A natureza e a função do mercado


Texto de Ludwig Von Mises:

A crítica marxista gosta de censurar a ordem social capitalista, dizendo que seus métodos de produção são anárquicos, pois são feitos sem uma burocracia centralizada comandando o planejamento. Supostamente, de acordo com os marxistas, cada empreendedor produz cegamente, guiado apenas por seu desejo por mais lucros, sem se preocupar se sua ação irá satisfazer uma necessidade. Assim, para os marxistas, não é nada surpreendente que severos distúrbios apareçam recorrentemente na forma de crises econômicas periódicas. Eles afirmam que seria fútil utilizar o capitalismo para lutar contra toda essa inevitabilidade. Apenas o socialismo, dizem eles, irá fornecer a solução, ao substituir a economia anarquista voltada para o lucro por um sistema econômico voltado para a satisfação das necessidades.
Estritamente falando, a repreensão de que a economia de mercado é "anarquista" é uma crítica tão profunda quanto dizer que ela não é socialista. Isto é, a verdadeira administração da produção não está entregue a uma burocracia central que dirige o emprego de todos os fatores de produção. Tal tarefa é deixada por conta de empreendedores e proprietários dos meios de produção. Chamar a economia capitalista de "anarquista", portanto, significa apenas dizer que a produção capitalista não é uma função de instituições governamentais.
Entretanto, a expressão "anarquia" carrega consigo outras conotações. Normalmente, utiliza-se a palavra "anarquia" para se referir a condições sociais em que, por falta de um aparato governamental de força para proteger a paz e o respeito pela lei, prevalece o caos de contínuos conflitos. A palavra "anarquia", portanto, está associada ao conceito de condições intoleráveis. Os teóricos marxistas deliciam-se em utilizar tais expressões. A teoria marxista precisa das implicações que tais expressões ensejam, pois assim conseguem excitar as simpatias e as antipatias que tipicamente obstruem qualquer análise crítica. O slogan da "anarquia da produção" tem executado esse serviço à perfeição. Gerações inteiras se deixaram confundir por ele. Ele também influenciou as ideias econômicas e políticas de todos os partidos políticos, mesmo aqueles partidos que ruidosamente se proclamam antimarxistas.
O papel e a função dos consumidores
Mesmo se o método capitalista de produção fosse "anarquista", isto é, sem regulação sistemática de uma burocracia central, e mesmo se os empreendedores e capitalistas (os donos dos bens de capital) individualmente dirigissem suas ações independentemente uns dos outros, tudo na busca pelo lucro, ainda assim seria completamente errôneo supor que eles não têm norte algum, que eles não têm como organizar a produção de modo a satisfazer necessidades e desejos. É algo inerente à natureza da economia capitalista fazer com que, na análise final, o emprego dos fatores de produção esteja voltado apenas para servir os desejos dos consumidores.
Ao alocar mão-de-obra e bens de capital, os empreendedores e capitalistas estão limitados, por forças das quais eles não podem escapar, a satisfazer os desejos e necessidades dos consumidores do modo mais completo possível, considerando-se o estado da tecnologia e da riqueza econômica. Por conseguinte, o contraste feito entre o método de produção capitalista (a produção voltada para o lucro) e o de método de produção socialista (a produção voltada para o uso) é completamente enganoso. Na economia capitalista, é a demanda do consumidor que determina o padrão e a direção da produção, precisamente porque os empreendedores e capitalistas têm de considerar a lucratividade de suas empresas.
Uma economia baseada na propriedade privada dos fatores de produção se torna significativa através do mercado. O mercado, quando deixado livre, opera de modo suave, alterando constantemente o nível dos preços, de modo que a demanda e a oferta sempre tendam a se coincidir. Se a demanda por um bem aumenta, então seu preço irá subir, e esse aumento de preço levará a um aumento na oferta. Empreendedores entrarão no mercado para tentar produzir mais desses bens, de modo a ganhar o máximo possível com suas vendas. Eles irão expandir a produção de qualquer item até o ponto em que sua venda deixar de ser lucrativa, o que obrigará os empreendedores a reduzir seus custos de produção. Essa redução terá de ser repassada aos consumidores, na forma de preços menores. Essa contínua busca por lucros faz com que novos métodos de produção ainda menos custosos sejam descobertos. A consequência é uma constante redução nos preços reais de todos os bens.
Na análise final, são os consumidores que decidem o que deverá ser produzido e como. A lei do mercado obriga os empreendedores e capitalistas a obedecer as ordens dos consumidores e a realizar seus desejos com o menor gasto possível de tempo, mão-de-obra e bens de capital. A concorrência do mercado faz com que os empreendedores e capitalistas que não estejam aptos a essa tarefa percam sua posição de controle sobre o processo de produção. Se eles são incapazes de sobreviver na concorrência - isto é, em satisfazer os desejos dos consumidores de modo melhor e mais barato -, então eles sofrerão prejuízos que irão fazer com que sua importância no processo econômico seja diminuída. Se eles não corrigirem rapidamente as deficiências no gerenciamento de sua empresa e no capital investido, eles serão eliminados completamente por meio da perda de seu capital e de sua posição empreendedora. Daí em diante, eles terão de se contentar em ser empregados de outros, com uma função mais modesta e uma renda reduzida.
Produção para o consumo
A lei do mercado se aplica para a mão-de-obra também. Como os outros fatores de produção, a mão-de-obra também é valorada de acordo com sua utilidade em satisfazer as necessidades humanas. Seu preço - o salário - é um fenômeno de mercado como qualquer outro fenômeno de mercado, determinado pela oferta e demanda, pelo valor que o produto da mão-de-obra tem aos olhos dos consumidores. Ao alterar o nível dos salários, o mercado direcionasetores da produção onde eles são mais urgentemente demandados. Assim, o mercado fornece a cada setor a qualidade e a quantidade de mão-de-obra necessária para satisfazer os desejos dos consumidores da melhor maneira possível.
Na sociedade feudal, os homens se tornavam ricos por meio da guerra e da conquista, além também das dádivas recebidas do regente soberano. Os homens ficavam pobres caso fossem derrotados nas batalhas ou caso não caíssem nas graças do monarca. Na sociedade capitalista, os homens enriquecem ao servirem os consumidores em larga escala - diretamente como produtores de bens de consumo, ou indiretamente como produtores de matérias-primas e fatores de produção. Isso significa que, em uma sociedade capitalista de livre mercado, os homens que se tornam ricos são aqueles que estão servindo bem às pessoas.
A economia de mercado capitalista é uma democracia em que cada centavo constitui um voto. A riqueza dos empreendedores de sucesso é resultado de um plebiscito dos consumidores. A riqueza, uma vez adquirida, poderá ser preservada somente por aqueles que souberem continuar ganhando-a novamente a cada dia, sempre satisfazendo os desejos dos consumidores.
A ordem social capitalista, portanto, é uma democracia econômica no sentido mais estrito da palavra. Em última instância, todas as decisões dependem da vontade das pessoas como consumidoras. Assim, sempre que há um conflito entre as visões dos consumidores e as dos empreendedores, as pressões de mercado assegurarão que as visões dos consumidores acabem se impondo.
Isso certamente difere bastante daquele modelo almejado por intelectuais socialistas e sindicalistas. No sistema que eles propõem, o povo supostamente deve determinar a produção, estando ele no papel dos produtores, e não dos consumidores. O povo exerceria influência não como consumidor dos produtos, mas como vendedor de mão-de-obra - isto é, como vendedores de um dos fatores de produção. Se esse sistema fosse implementado, ele iria desorganizar por completo toda a estrutura de produção, destruindo nossa civilização. O absurdo dessa proposta se torna aparente ao simplesmente considerarmos que a produção não é um fim em si mesma. Seu propósito é apenas o de servir ao consumo.
A perniciosidade de uma "política para os produtores"
Sob a pressão do mercado, empreendedores e capitalistas devem ordenar a produção de modo a satisfazer os desejos dos consumidores. Os planos que eles fazem e o que eles pedem dos trabalhadores é sempre determinado pela necessidade de satisfazer os mais urgentes desejos dos consumidores. É precisamente isso que garante que o desejo do consumidor seja a única diretriz para os negócios. Ainda assim, o capitalismo é normalmente repreendido por colocar a lógica da conveniência e de utilidade acima dos sentimentos, e de ordenar as coisas na economia de modo imparcial e impessoal, tendo em vista apenas o lucro.
É porque o mercado compele o empreendedor a conduzir seus negócios de modo a obter o maior retorno possível, que os desejos dos consumidores são atendidos da melhor e mais barata maneira. Se o lucro em potencial não fosse mais levado em conta pelas empresas, e se, ao contrário, os desejos dos trabalhadores é que se tornassem o critério, de modo que o trabalho fosse organizado segundo a conveniência dos trabalhadores, então os interesses dos consumidores ficariam em último plano. Se o empreendedor objetiva ter o maior lucro possível, ele efetuará um serviço para a sociedade ao gerenciar uma empresa. Quem quer que o impeça de fazer isso, com a desculpa de estar preocupado com outras considerações que não os lucros empresariais, estará agindo contra os interesses da sociedade e colocando em risco a satisfação das necessidades dos consumidores.
Trabalhadores e consumidores são, obviamente, idênticos. Se fizermos uma distinção entre eles, estaremos apenas fazendo uma diferenciação mental de suas respectivas funções dentro do arranjo econômico. Não devemos deixar que isso nos leve ao erro de pensar que eles são grupos diferentes de pessoas. O fato de que empreendedores e capitalistas também são consumidores possui um papel não tão importante em termos quantitativos; para a economia de mercado, o consumo significativo é o consumo em massa.
Direta ou indiretamente, a produção capitalista serve primariamente ao consumo das massas. A única maneira de aprimorar a situação dos consumidores, portanto, é fazendo empresas ainda mais produtivas - ou, como se diz hoje, "racionalizar" ainda mais. Apenas se a intenção for privar as pessoas do consumo, é que se deve aplicar aquilo que é conhecido como "política para os produtores" - especificamente, a adoção de medidas que colocam os interesses dos produtores acima dos interesses dos consumidores.
Qualquer oposição às leis econômicas que o mercado determina para produção sempre se dará à custa do consumo. Isso deve vir à mente sempre que intervenções forem defendidas com o intuito de liberar os produtores da necessidade de obedecer ao mercado.
São os processos de mercado que dão significado à economia capitalista. Eles colocam os empreendedores e capitalistas a serviço da satisfação dos desejos dos consumidores. Se o funcionamento desse complexo processo sofrer interferência, então haverá distúrbios que impedem que a oferta se ajuste à demanda, fazendo com que a produção se desencaminhe e tome rumos que a impeça de lograr o objetivo de toda ação econômica - qual seja, a satisfação de desejos.
Esses distúrbios constituem as crises econômicas.
Publicado pelo site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

Mural do montesclaros.com

Mensagem que tentei postar no montesclaros.com:

Acho que foi Schopenhauer que disse que a capacidade de tolerar o barulho é inversamente proporcional à inteligência do indivíduo.
Eu me considero um dos jovens que gostam de sair à noite pra escutar música e me divertir com os amigos. Concordo com a opinião dos ditos "conservadores e carolas" daqui que o meu direito a aproveitar a noite da cidade não pode se opor ao direito daqueles que querem descansar nos seus lares. Entretanto, graças ao avanço da tecnologia, é possível conciliar as duas coisas. Com isolamento acústico, é perfeitamente possível ter um ambiente de festa com música que não incomode os vizinhos. O que acredito ser tratado aqui como "triângulo da impunidade" são realmente bares que não tem isolamento acústico nenhum. Em Belo Horizonte, pelo menos no bairro em que moro, a partir das 23 horas não é permitido que se fique do lado de fora dos bares, porque, mesmo sem música, o burburinho da noite pode atrapalhar o descanso dos vizinhos. Eventos com trios elétricos são também realizados em áreas afastadas (mas talvez próximas de outras famílias). A adequação dos ambientes de divertimento de Montes Claros às regras que existem para proteger o cidadão, acredito eu, vai ser um avanço para a cultura da cidade.

2.12.10

Podcast do Olavo de Carvalho 29/11/10

Violência no Rio: Maniqueísmo sim!

Vejam o que disse Luiz Eduardo Soares, sociólogo e um dos autores do livro "Elite da Tropa 2", em entrevista no caderno Cotidiano da Folha de São Paulo de hoje: 


"Há outros criminosos além deles, e esses traficantes o são com apoio dos que deveriam cumprir a lei. Então, o mal atravessa os dois lados, não existe essa polaridade [entre bem e mal], e esse é o problema. Quando a autoridade dá ao policial na ponta liberdade para matar, dá-lhe também, indiretamente, a liberdade de não fazê-lo."


Ao dizer que o mal atravessa os dois lados e que não existe polaridade entre traficantes e policiais, o sociólogo dá a entender que existiria o Bem nos dois lados também. Ora... Que bem poderia trazer as atividades criminosas dos traficantes? Já dizia Ayn Rand: " Não é justiça ou tratamento igual que você concede aos homens quando se abstém de admirar suas virtudes e condenar seus vícios. Quando sua atitude imparcial declara, com efeito, que nem o bem nem o mal podem esperar nada de você -- qual deles você trai e qual você encoraja?". Então Sr. Luiz, quem o senhor encoraja e quem você trai?


Depois aprofunda o argumento:


"Há uma enorme ilusão. Não quero me arrogar o papel do único que enxerga a realidade, pelo amor de Deus. Mas é assustador que pessoas tão inteligentes e bem intencionadas se iludam com a fábula de que o bem venceu o mal. Esse mal só existiu até esse momento porque foi alimentado por isso que chamamos de bem. E, se agora esse mal é afastado, esse bem que é parte do mal parece triunfante. Vamos nos surpreender sendo apunhalados pelas costas, porque parte dos heróis são os que estão nos condenando à insegurança, levando armas e drogas para as favelas."


"Isso que chamamos de bem" são os homens das forças de segurança que arriscam suas vidas para garantir a execução das leis e a manutenção da ordem. Se parte dos policiais é corrupta, isso quer dizer necessariamente que essa parte não é "o que chamamos de bem". Jamais caberia colocar o papel da atividade policial no mesmo patamar que a dos traficantes. Quando falamos de crimes, a interpretação deve sim ser maniqueista. Onde já se viu um meio traficante, ou alguém que é apenas 2/3 assassino?

1.12.10

Educação salva vidas

Singelo vídeo de utilidade pública (e muito criativo) que mostra o poder da informação para salvar vidas.





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Saúde não é um direito

Trechos da palestra: "Saúde não é um direito" do Dr. Leonard Peikoff no Town Hall Meeting on the Clinton Health Plan. Red Lion Hotel, Costa Mesa CA. 11 de Dezembro de 1993


(...) Nossos únicos direitos, segundo o ponto de vista americano são: o direito à vida, à liberdade, à propriedade e à busca da felicidade. Apenas esses. De acordo com os Pais Fundadores, nós não nascemos com o direito a uma viagem à Disneylândia, ou a uma refeição no Mcdonald´s, ou a hemodiálise. (...)

(...) Por que apenas esses? Note que todos os direitos legítimos têm uma coisa em comum: são direitos à ação, não a recompensas vindas de outras pessoas. Os direitos americanos não impõem obrigações a outras pessoas; são a mera obrigação negativa de te deixar em paz. O sistema garante que você tenha chance de trabalhar por aquilo que quiser, não a receber de outras pessoas sem esforço.

O direito à vida não significa, por exemplo, que seus vizinhos tenham que alimentá-lo e vesti-lo; significa apenas que você tem o direito de conseguir sua comida e vestimenta por si mesmo, se necessário por meio de trabalho árduo, e que ninguém pode forçá-lo a interromper sua luta por essas coisas, ou roubá-las de você quando as tiver conquistado. Em outras palavras: você tem o direito de agir e manter para si o resultados de suas ações, os produtos que produzir, para guardá-los ou trocá-los com outras pessoas, se desejar. Mas você não tem nenhum direito às ações e produtos de outras pessoas, exceto no termos em que concordarem voluntariamente.

(...) o direito à busca da felicidade é precisamente esse: o direito à busca - a um certo tipo de ação da sua parte e a seu resultado - e não a garantias de que outras pessoas o farão feliz, ou mesmo que tentem fazê-lo. De outra maneira, não haveria liberdade no país: se o seu mero desejo por algo, qualquer coisa, impuser uma obrigação a outras pessoas para satisfazê-lo, então eles não têm nenhuma escolha em suas vidas, nenhuma voz no que fazem, eles não têm liberdade, eles não podem buscar a felicidade deles. O seu "direito" à felicidade às custas deles significa que eles se tornaram servos despidos de seus direitos, ou seja, seus escravos. Seu direito a qualquer coisa às custas dos outros significa que eles perderam seus direitos.

(...) A regra atualmente é para políticos ignorarem e violarem os direitos de fato dos homens, enquanto discutem sobre uma lista de direitos nunca sonhados nos documentos de fundação desse país- direitos que não requerem merecimento, esforço, ação nenhuma da parte dos detentores desses direitos.

Você tem direito a algo, os políticos dizem, simplesmente porque você existe e deseja ou precisa - ponto final. Você tem direito a recebê-lo do governo. De onde o governo consegue esse algo? O que o governo tem de fazer aos cidadãos- ao direito individual deles, aos seus direitos reais- para cumprir a promessa de derramar serviços gratuitos sobre a população?
As respostas são óbvias. Os direitos novos destroem os direitos reais e tornam as pessoas que de fato produzem os bens e serviços em servos do estado. O russos tentaram esse mesmo sistema por décadas. Infelizmente, nós não aprendemos com sua lição. Entretanto o significado de socialismo (esse é o nome correto para o projeto de saúde de Clinton) é claramente evidente em qualquer  campo - você não precisa achar que saúde seja um caso especial; é tão óbvio como se o governo proclamasse um direito universal à comida, a uma viagem ou a um corte de cabelo. Quero dizer, um direito nesse novo sentido, não é que você tenha direito a conquistar essas coisas por seu próprio esforço ou trocas, mas sim que você tem um  direito a receber essas coisas sem custo nenhum, sem ação de sua parte, simplesmente como caridade de um governo benevolente.

(...) Cortes de cabelo são gratuitos, assim como o ar que respiramos, então algumas pessoas irão aparecer todos os dias para um novo e caro corte de cabelo, o governo pagará mais e mais, os barbeiros aproveitam seus novos e crescentes lucros, e a profissão começa a crescer vertiginosamente. Homens carecas começam a aparecer em bandos para implantes capilares gratuitos. Uma escola de beleza, especializada em sobrancelhas é criada - tudo gratuito, pago pelo governo. Os barbeiros desonestos estão tendo um momento maravilhoso, claro - assim como os honestos; eles estão trabalhando e gastando como loucos, tentando dar a cada consumidor o produto que seus corações desejam, que é o valor que um milionário pagaria para receber esses cuidados e serviços capilares. O governo começa a reclamar, o orçamento está fora de controle. De repente novas regras surgem: temos que limitar o número de barbeiros, temos que limitar o tempo gasto em cada corte de cabelo, temos que limitar o tipos de estilos de cortes de cabelo permitidos; (...) Um departamento com dados informatizados e cheio de inspetores é criado e a fita vermelha começa a crescer; alguns barbeiros, ao que parece, ainda estão ficando ricos demais, eles devem estar recebendo mais do que sua justa fatia do cabelo nacional. Então alguns barbeiros começam a se inscrever para receber Certificados de Necessidade para comprarem lâminas, enquanto se estabelecem bancas para avaliar o trabalho de cada barbeiro, tantos os desonestos como os honestos, para garantir que nenhum seja tão bom ou tão ruim , ou que uns tenham muitos clientes e outros poucos. No fim, há filas de consumidores para serem escalpelados pelos cabeleireiros desinteressados e tolhidos de seu talento, que lembram com  nostalgia dos velhos tempos em que, de alguma maneira, as coisas eram bem melhores.

ações e esforços. Mas ninguém tem direito a serviços de qualquer profissional, individualmente ou em grupo, simplesmente por que deseja ou precisa desesperadamente deles. O próprio fato de precisarem tão desesperadamente desses serviços é a prova de que devam respeitar a liberdade, a integridade e os direitos das pessoas que os proveem.

Você tem direito a trabalhar, não a roubar dos outros o fruto de seu trabalho, ou torná-los animais de sacrifício despidos de seus direitos que trabalham para satisfazer as suas necessidades.

Alguns de vocês podem perguntar: mas as pessoas podem arcar com os custos de saúde por si mesmas? Mesmo levando em conta os preços atuais inflacionados pelo governo, a resposta é: certamente que sim. De onde você acha que o dinheiro para custear a saúde está vindo nesse momento? Onde o governo consegue seus fabulosos e ilimitados recursos? O Governo não é uma organização produtiva; ele não tem fonte de riqueza a não ser através do confisco da riqueza dos cidadãos, através de impostos, financiamento de déficits ou coisa parecida. Mas, você poderia dizer, não são os "ricos" que estão de fato pagando pelos custos de saúde - os ricos e não a grande maioria das pessoas? Como tem sido provado, não há ricos suficientes em lugar nenhum para fazer frente aos custos do governo; é a vasta classe média dos EUA que é a principal fonte dessa quantidade de dinheiro necessária para custear programas de saúde pública. Um exemplo simples desse fato é que o novo programa da administração de Clinton conta apenas com os recursos, não dos Grandes Negócios, mas dos pequenos homens de negócio que estão lutando na economia atual simplesmente para se manter vivos e em atividade. Sob qualquer programa socializado, são os "homens comuns" que pagam pela maior parte. Sob o pretexto sem sentido de que o "povo" não pode pagar por isso ou aquilo, cria-se a necessidade de o governo entrar em cena.

Se as pessoas de um país verdadeiramente não pudessem pagar por certo serviço , como por exemplo na Somália,  nenhum governo nesse país poderia custeá-lo por essa mesma razão.

Algumas pessoas não podem pagar por um plano de saúde nos EUA. Mas eles são necessariamente um pequena minoria, mesmo em uma país livre ou semilivre. Se eles fossem maioria, o país estaria falido e não poderiam nem pensar em sistema de saúde pública. Essa pequena minoria, em um país livre, teria que contar apenas com caridade privada e voluntária. Sim, caridade, a bondade de médicos ou dos mais abastados - caridade, não o direito, isto é, não o direito deles à vida ou ao trabalho dos outros. E essa caridade, posso dizer, sempre esteve disponível quando necessária no passado dos EUA. Os defensores do Medicare e Medicaid não alegam que os pobres e os idosos nos anos 60 recebiam serviços ruins; eles alegam que era uma afronta que qualquer um dependesse de caridade.

Mas o fato é que não se pode abolir a caridade chamando-a de outra coisa. Se uma pessoa recebe cuidado de saúde a troco de nada , simplesmente porque está respirando, ela ainda está recebendo caridade, quer o presidente Clinton chame isso de direito ou não. Chamar de direito quando aquele que recebe não mereceu é meramente contribuir para o mal. Ainda é caridade, ainda que agora seja fruto de extorsão por táticas de força criminosas, enquanto se esconde atrás de um nome desonesto.

Como com qualquer bem ou serviço provido por um grupo de homens, se você tentar fazer da posse dele um direito, você então está escravizado os provedores do serviço, prejudicando-os e, finalmente, privando justamente os consumidores que você supostamente queria ajudar. Chamar saúde de um direito é meramente escravizar os médicos e assim destruir a qualidade do atendimento de saúde, como a medicina socializada fez ao redor do mundo onde quer que tenha sido tentada(...)"

A postagem é longa, mas vale a pena. Traduzi o termo "health care" como saúde para ficar mais claro. É uma bela reflexão sobre os verdadeiros direitos individuais e o aviltamento que se tem feito deles na atualidade.

Íntegra aqui

Os barões

foto publicitária do filme "400 contra 1", sobre o início da facção Comando Vermelho


Vão aqui trechos do texto " Os barões ", de Olavo de Carvalho. Íntegra aqui


"Um leitor pede, gentilmente, que eu lhe diga quem, afinal, são os tão falados e jamais nomeados "barões da droga". Quem ganha com o crescimento ilimitado das quadrilhas de narcotraficantes e sua transformação em força revolucionária organizada, ideologicamente fanatizada, adestrada em táticas de guerrilha urbana, capacitada a enfrentar com vantagem as forças policiais e não raro as militares?
A resposta é simplicíssima: quem ganha com o tráfico de drogas é quem produz e vende drogas. O maior, se não o único fornecedor de drogas ao mercado brasileiro são as Farc, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. São elas, também, que dão adestramento militar e assistência técnica ao Comando Vermelho, ao PCC e a outras quadrilhas locais.
Já faz dez anos que o então principal traficante brasileiro, Fernandinho Beira-Mar, preso na Colômbia, descreveu em detalhes a operação em que trocava armas contrabandeadas do Líbano por duas toneladas anuais de cocaína das Farc. Também faz dez anos que uma investigação da Polícia Federal chegou à seguinte conclusão: 'A guerrilha tem o comando das drogas'"
(...)São esses os barões. Não há outros. A parceria deles com o narcotráfico vem de longe. Começou na Ilha Grande, nos idos de 70, quando terroristas presos começaram a doutrinar os bandidos comuns e a ensinar-lhes os rudimentos da guerrilha urbana, segundo o manual de Carlos Marighela. Naquela época, os guerrilheiros e a liderança esquerdista em geral tinham um complexo de inferioridade: viam-se como uma elite isolada, sem raízes nem ressonância no "povo", em cujo nome falavam com um sorriso amarelo.
Por feliz coincidência, foram parar na cadeia numa época em que o filósofo germano-americano Herbert Marcuse lhes dera uma idéia genial: a faixa de população mais sensível à pregação revolucionária não eram os trabalhadores, como pretendia Karl Marx, e sim os marginais - ladrões, assassinos, narcotraficantes. Que parassem de pregar nas fábricas e buscassem audiência no submundo - tal era o caminho do sucesso. Quando as portas do cárcere se fecharam às suas costas, abriram-se para eles as portas da mais doce esperança: lá estava, no pátio da prisão, o tão ambicionado "povo". Sua função no esquema? Transmutar o reduzido círculo de guerrilheiros em movimento armado das massas revolucionárias.
Em 1991, o projeto, em formato definitivo, já vinha exposto com toda a clareza no livro Quatrocentos Contra Um, do líder do Comando Vermelho, William da Silva Lima, publicado pela Labortexto e lançado ao público na sede da Associação Brasileira da Imprensa, entre aplausos de mandarins da intelectualidade esquerdista que ali viam materializados seus sonhos mais belos de justiça e caridade.
Mais que materializados, ampliados: "Conseguimos o que a guerrilha não conseguiu: o apoio da população carente. Vou aos morros e vejo crianças com disposição, fumando e vendendo baseado. Futuramente, elas serão três milhões de adolescentes, que matarão vocês nas esquinas." Todo o descalabro sangrento que hoje aterroriza a população do Rio de Janeiro não é senão a efetivação do plano aí esboçado com a ajuda dos mesmos luminares do esquerdismo que hoje pontificam sobre "segurança pública".
(...) A criação do Foro de São Paulo, iniciativa daqueles terroristas aposentados, facilitou os contatos entre agentes das Farc e as quadrilhas de narcotraficantes brasileiros - especialmente do PCC -, dos quais logo se tornaram mentores, estrategistas e sócios. Foi o que demonstrou o juiz federal Odilon de Oliveira, de Ponta Porã, MS, pagando por essa ousadia o preço de ter de viver escondido, como de fosse ele próprio o maior dos delinquentes, enquanto os homens das Farc transitam livremente pelo país, têm toda a proteção da militância esquerdista em caso de prisão e até são recebidos como hóspedes de honra por altos próceres petistas.
Mas também é claro que, entre esses dois momentos, os apóstolos da sociedade justa não ficaram parados: fizeram leis que dificultam a ação da polícia (o governador carioca Leonel Brizola chegou a bloqueá-la por completo), espalharam por toda a sociedade a noção de que os bandidos são vítimas e, a pretexto de combater o crime por meio de uma "política de inclusão", construíram nos redutos da bandidagem obras de infraestrutura que tornam a vida dos criminosos mais confortável e sua ação mais eficiente.
No meio de tanta atividade meritória, ainda tiveram tempo de estreitar os laços tático-estratégicos entre as quadrilhas de delinquentes e a militância política, articulando, nas reuniões do Foro de São Paulo, a colaboração entre as Farc e o MST, que hoje recebe da guerrilha colombiana o mesmo adestramento em técnicas de guerrilha que começou a ser transmitido aos presos da Ilha Grande nos anos 70.
Falar em "ligações" da esquerda com o crime é eufemismo. O que há é a unidade completa, a integração perfeita, uma das mais formidáveis obras de engenharia revolucionária de todos os tempos. Não espanta que empreendimento de tal envergadura tenha a seu dispor, entre os "formadores de opinião", um número até excessivo de colaboradores incumbidos de negar a sua existência. "